Não escrevo simplesmente porque escrevo
Não escrevo porque, humildemente,
Sinto vontade de escrever.
Não escrevo porque quero
Nem porque quero ser eterno.
Quando escrevo simplesmente porque escrevo,
Ao contrário do que pensam,
Não me sinto mais perto dos Deuses;
Simplesmente me sinto mais humanamente
Perto de mim mesmo.
Escrevo, sendo o que, infelizmente, nunca queria ter sido.
E sendo, me distancio do ser pequeno,
Paradoxalmente, o único ser que queria ter sido, antes de escrever.
Queria parar de escrever, mas nem eu sei por que escrevo.
E escrevendo vou me construindo:
Me tornando o que não quero,
Sendo, o que querem que eu seja.
É por isso que não sigo regras
É por isso que não sigo as rimas convencionais
Por isso não escrevo quando quero
E o melhor: quando querem.
Aí vou querendo que se foda a norma culta.
Porque também não sigo convenções
E nem sou manipulado.
E escrevo porque escrevo.
Por mais nada
Por mais que tudo
Por mais que me paguem.
Dessa forma eu sou livre
E dessa forma:
Eu escrevo o que eu quero.
(Edson Santana)28/12/2008
Quem escreve?
- Amandla Awetú
- Rio, RJ, Brazil
- Moribundo SUBurbano. Estereotipado: bandido, maconheiro e marginal. Escritor, poeta e, portanto, miserável.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Tu, que já não me odeia como antes
O que fará daqui pra frente?
Qual será seu passo adiante?
E se eu amar outra de repente?
A raiva te ajudou no passado
Hoje só ama o que não fui
Sozinha será de outro falso
E a dor retorna ao peito e flui,
Para alegria dos desgraçados
Que choram sem terem tido um amor
Que choram por nunca terem amado.
Para tristeza dos amores recíprocos
Para tristeza de quem amo
Por quem percorreria o infinito.
O que fará daqui pra frente?
Qual será seu passo adiante?
E se eu amar outra de repente?
A raiva te ajudou no passado
Hoje só ama o que não fui
Sozinha será de outro falso
E a dor retorna ao peito e flui,
Para alegria dos desgraçados
Que choram sem terem tido um amor
Que choram por nunca terem amado.
Para tristeza dos amores recíprocos
Para tristeza de quem amo
Por quem percorreria o infinito.
Não importa,
Não quero saber de nada
Sua presença me incomoda
Não venha mais na minha casa.
Te praguejo assim por dentro
Por fora transpareço
O quanto ainda te mereço
Pra não cair no desalento.
Por medo de te amar de novo
Te odeio dia e noite
Lembranças são açoites
Em minha mente causam estorvo.
Posso nem te ver passando
Que já perco meu sossego
Pra você peço arrego
Tudo isso porque te amo.
Não quero saber de nada
Sua presença me incomoda
Não venha mais na minha casa.
Te praguejo assim por dentro
Por fora transpareço
O quanto ainda te mereço
Pra não cair no desalento.
Por medo de te amar de novo
Te odeio dia e noite
Lembranças são açoites
Em minha mente causam estorvo.
Posso nem te ver passando
Que já perco meu sossego
Pra você peço arrego
Tudo isso porque te amo.
domingo, 14 de dezembro de 2008
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
sábado, 6 de dezembro de 2008
Se existe amor: Para um amor eterno.
De verdade, o que cabe
Entre duas mãos amantes
Dois corações delirantes
Algo mais que amizade?
Carrego pesando em mim
Um coração apaixonado
Meia dúzia de escárnios
Palavras poços de mágoas
Sem um fim.
Ah! Como eu queira agora um fim
Tudo e todos a me paparicar
Eu tentando continuar a acreditar
Num amor que para mim, foi e
Não está sendo ruim.
Lêem-se mil livros
Têm-se dois mil amigos
Definitivamente, amor,
Quero morrer com ou sem
Você comigo
Amar o mundo como amava
Mil dias dormindo contigo,
Te fazendo carinho.
Entre duas mãos amantes
Dois corações delirantes
Algo mais que amizade?
Carrego pesando em mim
Um coração apaixonado
Meia dúzia de escárnios
Palavras poços de mágoas
Sem um fim.
Ah! Como eu queira agora um fim
Tudo e todos a me paparicar
Eu tentando continuar a acreditar
Num amor que para mim, foi e
Não está sendo ruim.
Lêem-se mil livros
Têm-se dois mil amigos
Definitivamente, amor,
Quero morrer com ou sem
Você comigo
Amar o mundo como amava
Mil dias dormindo contigo,
Te fazendo carinho.
Olha que interessante: já vi neoliberal pobre, já vi comunista pobre, já vi capitalista pobre, mas nunca vi um anarquista pobre, por que será?
Bom, o neoliberal pobre a gente até entende. Vários são os fatores que o levam a pensar de forma individualista: extraindo o foco do Estado e eximindo os fatores sociais, ele, que na maioria das vezes é o que obteve “sucesso”, ou por estar dentro de uma universidade, ou por tornar-se um milionário-jogador-de-futebol, acredita cegamente, que o “sucesso” alheio, depende única e exclusivamente do esforço de cada um. Diz ele, o neoliberal pobre, com a mesma infantilidade do aluno-de-pré-vestibular-particular-de-classe-média que passa pra UERJ: “ah, a oportunidade está aí, é só estudar... vira juiz quem quer; vira ladrão quem já nasceu safado, semente do mal*!” e dessa forma, sela sua estupidez, e se torna contra qualquer política de inclusão social. Mas não devemos ter pena do neoliberal pobre não, não mesmo, ele até que é esperto, até que é inteligente, já que ganha milhões ou estuda na PUC, UERJ, Estácio, UFRJ... Ele, que não gosta de pobre por que nasceu pobre, conhece muito bem a raça de pobre e almeja deixar de ser pobre, mas pobre de quê?
O capitalista pobre é sempre aquele em cima do muro, é aquele que acredita no jornal nacional e na veja. O que não é comunista, ou por gostar muito de dinheiro e imaginar que num país socialista todos seriam iguais, e isso é chato pra ele, já que quer ser rico um dia, mas não sabe como, ou por crer de pé junto- o capitalista pobre é religioso- que o regime comunista é autoritário- como se o capitalismo não o fosse, é claro, da sua maneira. Não é liberal pois não tem convicção de que pode ser o que quiser, já que não é nada, mas almeja ser e sabe a dificuldade. Esse é o capitalista pobre e/ou o pobre capitalista.
O comunista pobre é o comunista pobre, o pobre que, talvez, deseja passar de subalterno para igual; de subalterno para subordinador- nem fizemos uma revolução e já conheço alguns. Esse tipo de pobre é mais fácil de entender, apesar de ser minoria, já que a classe dos pobres é subdividida e subdividida e subdividida...
O pobre anarquista, ou melhor, o anarquista, sempre sabe o que faz, ou seja: o que não faz. O anarquista não defeca e pára, e muito menos defeca e anda, só defeca. Ele, em sua plena capacidade mental, simplesmente não quer se comprometer, ou seja, nada quer fazer. O anarquista quase sempre não é anarquista, é um pseudo-anarquista. O pseudo-anarquista, quase sempre diverge do neoliberal, mas, e ele sabe disso, faz o mesmo: fica calado e torna-se individualista, desconsiderando tudo que é externo a ele, ou seja, externo a todos. O anarquista nunca é pobre, o pobre, nunca um anarquista. O pobre, mesmo o subalternado, manipulado ou dominado, um dia, terá consciência de classe, e deixará de ser pobre, já que nesse dia, as classes deixarão de existir. O anarquista não tem consciência de nada, nem mesmo o quanto custa uma universidade particular de qualidade, já que é seu papai quem a paga a sua, centavo por centavo...
Bom, o neoliberal pobre a gente até entende. Vários são os fatores que o levam a pensar de forma individualista: extraindo o foco do Estado e eximindo os fatores sociais, ele, que na maioria das vezes é o que obteve “sucesso”, ou por estar dentro de uma universidade, ou por tornar-se um milionário-jogador-de-futebol, acredita cegamente, que o “sucesso” alheio, depende única e exclusivamente do esforço de cada um. Diz ele, o neoliberal pobre, com a mesma infantilidade do aluno-de-pré-vestibular-particular-de-classe-média que passa pra UERJ: “ah, a oportunidade está aí, é só estudar... vira juiz quem quer; vira ladrão quem já nasceu safado, semente do mal*!” e dessa forma, sela sua estupidez, e se torna contra qualquer política de inclusão social. Mas não devemos ter pena do neoliberal pobre não, não mesmo, ele até que é esperto, até que é inteligente, já que ganha milhões ou estuda na PUC, UERJ, Estácio, UFRJ... Ele, que não gosta de pobre por que nasceu pobre, conhece muito bem a raça de pobre e almeja deixar de ser pobre, mas pobre de quê?
O capitalista pobre é sempre aquele em cima do muro, é aquele que acredita no jornal nacional e na veja. O que não é comunista, ou por gostar muito de dinheiro e imaginar que num país socialista todos seriam iguais, e isso é chato pra ele, já que quer ser rico um dia, mas não sabe como, ou por crer de pé junto- o capitalista pobre é religioso- que o regime comunista é autoritário- como se o capitalismo não o fosse, é claro, da sua maneira. Não é liberal pois não tem convicção de que pode ser o que quiser, já que não é nada, mas almeja ser e sabe a dificuldade. Esse é o capitalista pobre e/ou o pobre capitalista.
O comunista pobre é o comunista pobre, o pobre que, talvez, deseja passar de subalterno para igual; de subalterno para subordinador- nem fizemos uma revolução e já conheço alguns. Esse tipo de pobre é mais fácil de entender, apesar de ser minoria, já que a classe dos pobres é subdividida e subdividida e subdividida...
O pobre anarquista, ou melhor, o anarquista, sempre sabe o que faz, ou seja: o que não faz. O anarquista não defeca e pára, e muito menos defeca e anda, só defeca. Ele, em sua plena capacidade mental, simplesmente não quer se comprometer, ou seja, nada quer fazer. O anarquista quase sempre não é anarquista, é um pseudo-anarquista. O pseudo-anarquista, quase sempre diverge do neoliberal, mas, e ele sabe disso, faz o mesmo: fica calado e torna-se individualista, desconsiderando tudo que é externo a ele, ou seja, externo a todos. O anarquista nunca é pobre, o pobre, nunca um anarquista. O pobre, mesmo o subalternado, manipulado ou dominado, um dia, terá consciência de classe, e deixará de ser pobre, já que nesse dia, as classes deixarão de existir. O anarquista não tem consciência de nada, nem mesmo o quanto custa uma universidade particular de qualidade, já que é seu papai quem a paga a sua, centavo por centavo...
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Na verdade o que quero,
É sim, um pouco de afeto.
Poder te olhar de fronte, reto
E bem de perto,
Chorando lágrima por lágrima
Derramando em você o meu amor
Atualmente tão incrédulo.
Falso é o poeta que não chora
Bate, agoniado a porta e,
Nunca mais, por ter sofrido,
Volta, pede ou implora.
Na vastidão dos três pares
De pernas
Caminhei por aquelas terras
Desérticas
E só encontrei inocência,
Entre duas pernas abertas.
Olha, pouquinho de devassidão
Faz parte assim, como faz parte de mim
Esse pobre coração
De poeta que,
Desvairado, chora ao seu lado,
Tentando não ser, o que foi no passado.
Calado, ouço e choro o lado amargo
Dos que, de certa forma, foram abandonados.
Palavras tolas fazem de mim,
Mais tolo ainda, para assim,
Querer, voltar a mergulhar nessas duas
Praias de leite sem fim.
Pela bacia magra, fraca,
Pedindo minha carga
Hoje tão amarga.
Larga tudo e vem fraca,
Como quem quer ser alçada
Num vôo de garça,
Ser, minha amada.
Deixo ai meu coração calmo
Contigo, sei que terá ele afago.
Calmo, espero o fogo mais que tácito
Que tu aprendeste com os caras amargos,
Tentando vingar-se das minhas palavras
Lançadas no vácuo do teu peito frágil.
Nunca é tarde para amar, fruto-maduro.
É sim, um pouco de afeto.
Poder te olhar de fronte, reto
E bem de perto,
Chorando lágrima por lágrima
Derramando em você o meu amor
Atualmente tão incrédulo.
Falso é o poeta que não chora
Bate, agoniado a porta e,
Nunca mais, por ter sofrido,
Volta, pede ou implora.
Na vastidão dos três pares
De pernas
Caminhei por aquelas terras
Desérticas
E só encontrei inocência,
Entre duas pernas abertas.
Olha, pouquinho de devassidão
Faz parte assim, como faz parte de mim
Esse pobre coração
De poeta que,
Desvairado, chora ao seu lado,
Tentando não ser, o que foi no passado.
Calado, ouço e choro o lado amargo
Dos que, de certa forma, foram abandonados.
Palavras tolas fazem de mim,
Mais tolo ainda, para assim,
Querer, voltar a mergulhar nessas duas
Praias de leite sem fim.
Pela bacia magra, fraca,
Pedindo minha carga
Hoje tão amarga.
Larga tudo e vem fraca,
Como quem quer ser alçada
Num vôo de garça,
Ser, minha amada.
Deixo ai meu coração calmo
Contigo, sei que terá ele afago.
Calmo, espero o fogo mais que tácito
Que tu aprendeste com os caras amargos,
Tentando vingar-se das minhas palavras
Lançadas no vácuo do teu peito frágil.
Nunca é tarde para amar, fruto-maduro.
domingo, 30 de novembro de 2008
Um dia, me mandaram esse trecho, da música Tatuagem, do Chico:
“Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta
Morta de cansaço”
Entendi muito bem o trecho. Até o guardei. Até acreditei nele. Hoje, um pouco mais experiente, não acreditaria nele. Não o guardaria. Faria o que fiz, há pouco tempo. Rasgando-o, tentando dilacerar o restinho de passado, que ainda morava no meu cotidiano. A ingenuidade dessa pessoa, que mandou esse trecho, extrapolou os limites da compreensão do amor. Achava que me amava. E hoje, manda esse trecho pra outra pessoa. Bom, entendo muito bem. Até compreendo. Faz parte. É a vida.
“Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta
Morta de cansaço”
Entendi muito bem o trecho. Até o guardei. Até acreditei nele. Hoje, um pouco mais experiente, não acreditaria nele. Não o guardaria. Faria o que fiz, há pouco tempo. Rasgando-o, tentando dilacerar o restinho de passado, que ainda morava no meu cotidiano. A ingenuidade dessa pessoa, que mandou esse trecho, extrapolou os limites da compreensão do amor. Achava que me amava. E hoje, manda esse trecho pra outra pessoa. Bom, entendo muito bem. Até compreendo. Faz parte. É a vida.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Caminhei sozinho, hoje, o dia todo. Em qualquer lugar, caminhei sozinho. Todos os lugares pelos quais passava, passava sozinho. Embora, sempre que parava, alguém parava comigo, aí já não estava mais sozinho. Mesmo assim, quando voltava a caminhar, caminhava sozinho. Sentava, e alguém vinha, e sentava ao meu lado. Passava, e todos me acenavam, e mesmo assim, passei sozinho. Aqui na faculdade, muita gente sabe quem sou, ainda que, poucos saibam o que sinto. Também não sei se o que sinto importa a alguém, ou se alguém se importa com o que sinto, sei lá, metrópole é assim mesmo. Continuei caminhando até agora, 18h12min. Caminhei pensando nesse texto. Mesmo andando sozinho, falei com meu celular, que representa alguém distante, alguém a um mês de distância. Pessoa que senti ontem, estar morta para mim.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
A mulher a quem confiei meu carinho e apreço, hoje, disse-me que está ficando com outro. Não entendi de início. Logo depois ela veio me dizer, que esse rapaz, com o qual ela passou alguns dias junto, apresentou a família e, provavelmente transou, seria o cara ideal pra ela. Embora tenha me dito ter medo de assumir algo mais sério. Percebi em suas palavras que, o que ela quer mesmo é ficar com ele. Digo que não entendi de início, pois a única semana na qual não conversamos, ela conhece outro cara, se apaixona por outro cara e me deixa. Bom, não sei ao certo se ela vai me deixar. Também não me importo muito com isso. Já fui deixado de lado, e pior, por pessoas que eu amava. Sinto-me mais seguro agora. Hei de encontrar alguém assim, que combine comigo, cedo ou tarde. Enfim, não importa, estou curtindo a vida.
24 de novembro de 2008.
Hoje, morro de saudades, pois para mim, é como se você tivesse morrido. Já nem lembro a última vez que a vi; já a última sonoridade da tua voz, não me apetece recordar. Hoje, morro de saudade, mas, é como se não quisesse morrer. Não me apetece morrer sem te ver.
A saudade que sinto
É, como se,
Tivesses morrido.
Mais que isso:
É saber que,
Outro homem,
Planta outra flor
No teu umbigo,
Pequenino.
Hoje, morro de saudades, pois para mim, é como se você tivesse morrido. Já nem lembro a última vez que a vi; já a última sonoridade da tua voz, não me apetece recordar. Hoje, morro de saudade, mas, é como se não quisesse morrer. Não me apetece morrer sem te ver.
A saudade que sinto
É, como se,
Tivesses morrido.
Mais que isso:
É saber que,
Outro homem,
Planta outra flor
No teu umbigo,
Pequenino.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Crime e Amor
O mesmo caos, Negro,
Que ronda, à noite,
Por essas bandas.
Há de passar, andar e
Arrombar as portas,
Janelas,
Adentrar por entre
Tuas pernas,
Te encher de carinho,
Em uma semana,
Ser o maior vendaval,
Que já passou por tua vida!
Que ronda, à noite,
Por essas bandas.
Há de passar, andar e
Arrombar as portas,
Janelas,
Adentrar por entre
Tuas pernas,
Te encher de carinho,
Em uma semana,
Ser o maior vendaval,
Que já passou por tua vida!
domingo, 9 de novembro de 2008
Senhor, quando mil
Caíram a meu lado,
e Dez mil a minha direita.
Tu não deixastes que fosse eu,
o Atingido!
E quando aquele tiro,
Senhor,
Levou meu amigo
para residir em teu abrigo,
Tu achastes que era cedo demais,
para eu ir morar contigo!
Senhor!
Rogo a ti.
Peço força...
Que meus braços,
Senhor!
Levantem os que
ainda não caíram!
(Edson Santana)10/07
Caíram a meu lado,
e Dez mil a minha direita.
Tu não deixastes que fosse eu,
o Atingido!
E quando aquele tiro,
Senhor,
Levou meu amigo
para residir em teu abrigo,
Tu achastes que era cedo demais,
para eu ir morar contigo!
Senhor!
Rogo a ti.
Peço força...
Que meus braços,
Senhor!
Levantem os que
ainda não caíram!
(Edson Santana)10/07
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Pássaro contente
Numa noite, ao som do esquecimento,
Vem um pássaro contente qualquer,
Pernas passos corpo de mulher,
A ludibriar a cólera,
Libertar-se do que vier.
Pro que der, num passo
Demasiadamente falso
Passando pelo que é fardo
Pisando nas prisões do passado!
Assim vem o pássaro, carente de afago
Cantando em meu ouvido ao ritmo
Do que era pra ser íntimo:
Não quero ter filhos
Também não é de estranhar
Se, de alguma forma,
Não quisesse também casar.
Beijou minha boca como quem
Me havia beijado a alma
E eu, disse: querida, pássaro contente,
Faça o que quiseres,
Por ti, sou todo assim, meio que
Entregue.
Vem um pássaro contente qualquer,
Pernas passos corpo de mulher,
A ludibriar a cólera,
Libertar-se do que vier.
Pro que der, num passo
Demasiadamente falso
Passando pelo que é fardo
Pisando nas prisões do passado!
Assim vem o pássaro, carente de afago
Cantando em meu ouvido ao ritmo
Do que era pra ser íntimo:
Não quero ter filhos
Também não é de estranhar
Se, de alguma forma,
Não quisesse também casar.
Beijou minha boca como quem
Me havia beijado a alma
E eu, disse: querida, pássaro contente,
Faça o que quiseres,
Por ti, sou todo assim, meio que
Entregue.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Do discurso da Ingratidão
"O homem que diz sou, não é, porque quando é mesmo, não diz." Vinicius de Moraes.
Há um tempinho, me pegava pensando nesse tema, da mesma forma como penso em muitos outros temas, que, serão por mim, analisados num futuro um pouco mais promissor. Digo isso, e quem me conhece sabe, porque nem sempre me sinto à vontade para falar de certas coisas, e principalmente, sobre os assuntos os quais não domino. Confesso: qualquer pretensão acadêmica não passará de absurdo da parte que lê esse texto.
Alguns motivos, na maioria, empíricos mesmo, fizeram com que me interessasse por esse tema. Atualmente, tentando abandonar qualquer tipo de lirismo, digo, discurso baseado na paixão, acabo por entrar numa contradição, a qual já foi reconhecida por mim, e, a qual não tenho objetivo algum em sanar, ou seja, penso que qualquer contradição, diversidade ou qualquer palavra, à seu dispor, significa maturidade e sinal de aprendizado. Bom, sou assim mesmo, caso não me policie, acabarei por transformar esse, num pacote de digressões, o que, de certa forma, não é meu objetivo aqui. Vamos lá, passar para a segunda fase desse texto, a ficcional.
Algumas vezes, acordava ele por volta das quatro e meia da manhã ou madrugada, tanto faz, pensando certas coisas que, no fundo, não agradavam seu íntimo. Bem lá no fundo, entendia muita coisa, era até compreensivo e relativista no sentido banalizado da palavra. Embora sentisse demasiada raiva de mentiras, não as suportava, não suportava os mentirosos, porém, como identificá-los, sendo ele um homem compreensivo, relativista? Entregava-se, não importava pra quem, pra quê ou até quando, ele se entregava, tinha o coração bom. Ele se entregava. Sabe como é acordar com raiva de alguém?Ele não sabia o que era isso, não queria saber o que era isso, não pretendia saber o que era isso, embora, agora, soubesse, reconhecesse a necessidade disso. Acordava triste. Pensamento logo onde ele não queria que estivesse, onde, alguém que o conhecesse, nem seus amigos imaginariam que estivesse, lá no fundo, no recôndito da alma, sangrando por odiar alguém, lá estava ele, toda manhã, pensando no rumo do seu dia, imaginando, maquinando uma solução a fim de não encontrá-la, não vê-la, não lembrar dela. Já não era uma lembrança, lembrar que odiava ela, e que precisaria traçar um dia inteiro para não encontrá-la?Odiava ainda mais ela. Ainda mais ela. Não gostava de odiá-la, mas sentia necessidade de odiá-la, sabia agora o que era odiar, recriminava os que odiavam, recriminava-se agora, agora nada era como antes, nada poderia ser como antes, permaneceria tolerante, relativista?Era ele, agora, tendo raiva de alguém, e pior, alguém que um dia ele amou, e que, talvez tenha amado ele. Recriminava ainda mais o pensamento, calava-se. Sentado, acendia o cigarro que, há tempos vinha discriminando, agora, era ele o fumante, mas, como tudo atualmente tem se tornado necessário, não seria diferente com o cigarro. Fumava, com o filtro entre os dedos, a fumaça nos pulmões já, há tanto ferrados pela asma ou pela bronquite. Nunca conseguia diferenciar uma da outra. Expelia a fumaça, sentia a necessidade cada vez mais gritante de fumar, fumava.
Rompia em seu peito, a vontade de vingar-se, a simples vontade de falar umas verdades, mas também recriminava isso, sabia, e sabia mesmo, que o pior castigo para os que mentem, é o desprezo, mas nem desprezar sabia ele, isso sim, ele não sabia. Imaginava ele que para desprezar alguém, deve-se amar-se em demasia, e, do amor-próprio já tinha ele aberto mão faz tempo. Era, para ele, sinal de fraqueza, verdade dos que não encaram a vida de frente, amar-se em demasia. Não se amava. Amava os outros em demasia. Recriminava a vontade de beijá-la. Já tinha beijado outras, bem melhores, beijaria outra, bem melhor, bem melhor, e assim seria até beijar eternamente alguma poetisa mais negra que ele. O prazer de quem tem saudade é simplesmente sentir saudade. Não gostava de ter saudade, não tinha prazer em recriminar o futuro, a fim de tentar reconstruir o passado. O presente era uma merda, acordava de manhã, ele acordava de manhã ou seria de madrugada?
Queria ligar, ia ligar tentava não ligar, não ligava, pensava em não ligar, não podia ligar ia se ferrar, ia sentir mais raiva, ela ia ser mais ingrata, não queria ser ingrato, tinha medo da ingratidão dela, isso sim causava raiva, parado, tinha raiva, raiva, raiva, acho que ele ainda gosta dela, ou seria, odeia a ingratidão dela a tal ponto de querê-la de volta só pra ser ingrato com ela também? Mas, como ser ingrato, a gente é ingrato quando alguém te oferece algo, para o seu bem, seu crescimento, e, você, depois de sugar o que acha necessário, despreza seu doador, como ser ingrato com ela? Teria ela algo que fosse do apreço dele?Não, ele não ligava, sabia disso, sabia que não, mas tinha raiva, raiva dela, raiva da ingratidão dela. Abandonar o outro, até vai, tranqüilo, acontece, as pessoas se libertam das outras, se libertam de si mesmas, mas, já livre o pássaro, tem ele que voltar, pra magoar mais ainda? Não, não... Não sei não, talvez ele saiba, me deixa perguntar pra ele, um dia...
Na verdade, nem sei direito o que é ingratidão, talvez ninguém saiba, ou alguém saiba e não diz, não sei, não sei não. Era assim, ter raiva de uma pessoa ingrata. Sabe, não acho que ele goste dela mais não, acho não... Acho que ela sugou foi pouco dele, ele quer que ela sugue mais, ele não a ensinaria a ser ingrata, ele não é ingrato, ele queria é que ela deixasse de ser ingrata. Ingrata ela era, sempre fora? Além de ingrata foi burra, não aprendeu quase nada e já sai assim, se dizendo mulher, que mulher o quê? Pra ser mulher tem que saber transar, no mínimo saber transar! Cê acha que sabe transar?- “ah, assim não,olha, quero em pé, pode ser em pé?ai, eu gosto em pé!” Em pé é bom, é bom em pé, foda-se quer nem saber se estou cansado, não é? Vamos em pé, vamos... Ia em pé, pra te agradar ia em pé, cansado, mas ia em pé, queria é te dar prazer, mulher? Se diz mulher agora?É mulher, beleza, é mulher, é mulher. O quê? Ela te ligou pra dizer que estava com outro, que? Outro, homem? Que, de mais idade, de carro, de lá, como ela? Olha rapaz, sai fora dessa, é ingratidão demais. É, assim, ligar pra dizer isso é ingratidão demais, é sim, acabar comigo demais, é sim. Bom, não acho que seja alguma merda, ser mais velho Ter carro até vai, porra, mais conforto, não é? Tu que não gostava dessas coisas, não é? Humildona, você! Legal, você. Mais velho é merda,é merda. É da faculdade?olha, que merda, grandes merda, quantas vezes disse isso, eu, que era merda, era merda, apenas porque você não estava na faculdade, olha o quanto eu te agradava, olha! Ai, sei não, mais velho? Quero ver te foder em pé, quero ver te foder e gozar pra você ver, quero ver, quero ver te comer e ficar, te comer e não contar, quero ver,quero ver nao falar das tuas estrias, quero vê-la nem pintada depois dessa, nem pintada. Consigo nem passar ai, na tua rua, nem ai consigo passar. Medo do Pálio branco?Não sei, disso, não sei... vai ler, vai me culpar, vai falar que fiz isso, fiz aquilo, sei não, de pouca coisa sei, mas, esse, é o discurso da ingratidão, abençoada!
Há um tempinho, me pegava pensando nesse tema, da mesma forma como penso em muitos outros temas, que, serão por mim, analisados num futuro um pouco mais promissor. Digo isso, e quem me conhece sabe, porque nem sempre me sinto à vontade para falar de certas coisas, e principalmente, sobre os assuntos os quais não domino. Confesso: qualquer pretensão acadêmica não passará de absurdo da parte que lê esse texto.
Alguns motivos, na maioria, empíricos mesmo, fizeram com que me interessasse por esse tema. Atualmente, tentando abandonar qualquer tipo de lirismo, digo, discurso baseado na paixão, acabo por entrar numa contradição, a qual já foi reconhecida por mim, e, a qual não tenho objetivo algum em sanar, ou seja, penso que qualquer contradição, diversidade ou qualquer palavra, à seu dispor, significa maturidade e sinal de aprendizado. Bom, sou assim mesmo, caso não me policie, acabarei por transformar esse, num pacote de digressões, o que, de certa forma, não é meu objetivo aqui. Vamos lá, passar para a segunda fase desse texto, a ficcional.
Algumas vezes, acordava ele por volta das quatro e meia da manhã ou madrugada, tanto faz, pensando certas coisas que, no fundo, não agradavam seu íntimo. Bem lá no fundo, entendia muita coisa, era até compreensivo e relativista no sentido banalizado da palavra. Embora sentisse demasiada raiva de mentiras, não as suportava, não suportava os mentirosos, porém, como identificá-los, sendo ele um homem compreensivo, relativista? Entregava-se, não importava pra quem, pra quê ou até quando, ele se entregava, tinha o coração bom. Ele se entregava. Sabe como é acordar com raiva de alguém?Ele não sabia o que era isso, não queria saber o que era isso, não pretendia saber o que era isso, embora, agora, soubesse, reconhecesse a necessidade disso. Acordava triste. Pensamento logo onde ele não queria que estivesse, onde, alguém que o conhecesse, nem seus amigos imaginariam que estivesse, lá no fundo, no recôndito da alma, sangrando por odiar alguém, lá estava ele, toda manhã, pensando no rumo do seu dia, imaginando, maquinando uma solução a fim de não encontrá-la, não vê-la, não lembrar dela. Já não era uma lembrança, lembrar que odiava ela, e que precisaria traçar um dia inteiro para não encontrá-la?Odiava ainda mais ela. Ainda mais ela. Não gostava de odiá-la, mas sentia necessidade de odiá-la, sabia agora o que era odiar, recriminava os que odiavam, recriminava-se agora, agora nada era como antes, nada poderia ser como antes, permaneceria tolerante, relativista?Era ele, agora, tendo raiva de alguém, e pior, alguém que um dia ele amou, e que, talvez tenha amado ele. Recriminava ainda mais o pensamento, calava-se. Sentado, acendia o cigarro que, há tempos vinha discriminando, agora, era ele o fumante, mas, como tudo atualmente tem se tornado necessário, não seria diferente com o cigarro. Fumava, com o filtro entre os dedos, a fumaça nos pulmões já, há tanto ferrados pela asma ou pela bronquite. Nunca conseguia diferenciar uma da outra. Expelia a fumaça, sentia a necessidade cada vez mais gritante de fumar, fumava.
Rompia em seu peito, a vontade de vingar-se, a simples vontade de falar umas verdades, mas também recriminava isso, sabia, e sabia mesmo, que o pior castigo para os que mentem, é o desprezo, mas nem desprezar sabia ele, isso sim, ele não sabia. Imaginava ele que para desprezar alguém, deve-se amar-se em demasia, e, do amor-próprio já tinha ele aberto mão faz tempo. Era, para ele, sinal de fraqueza, verdade dos que não encaram a vida de frente, amar-se em demasia. Não se amava. Amava os outros em demasia. Recriminava a vontade de beijá-la. Já tinha beijado outras, bem melhores, beijaria outra, bem melhor, bem melhor, e assim seria até beijar eternamente alguma poetisa mais negra que ele. O prazer de quem tem saudade é simplesmente sentir saudade. Não gostava de ter saudade, não tinha prazer em recriminar o futuro, a fim de tentar reconstruir o passado. O presente era uma merda, acordava de manhã, ele acordava de manhã ou seria de madrugada?
Queria ligar, ia ligar tentava não ligar, não ligava, pensava em não ligar, não podia ligar ia se ferrar, ia sentir mais raiva, ela ia ser mais ingrata, não queria ser ingrato, tinha medo da ingratidão dela, isso sim causava raiva, parado, tinha raiva, raiva, raiva, acho que ele ainda gosta dela, ou seria, odeia a ingratidão dela a tal ponto de querê-la de volta só pra ser ingrato com ela também? Mas, como ser ingrato, a gente é ingrato quando alguém te oferece algo, para o seu bem, seu crescimento, e, você, depois de sugar o que acha necessário, despreza seu doador, como ser ingrato com ela? Teria ela algo que fosse do apreço dele?Não, ele não ligava, sabia disso, sabia que não, mas tinha raiva, raiva dela, raiva da ingratidão dela. Abandonar o outro, até vai, tranqüilo, acontece, as pessoas se libertam das outras, se libertam de si mesmas, mas, já livre o pássaro, tem ele que voltar, pra magoar mais ainda? Não, não... Não sei não, talvez ele saiba, me deixa perguntar pra ele, um dia...
Na verdade, nem sei direito o que é ingratidão, talvez ninguém saiba, ou alguém saiba e não diz, não sei, não sei não. Era assim, ter raiva de uma pessoa ingrata. Sabe, não acho que ele goste dela mais não, acho não... Acho que ela sugou foi pouco dele, ele quer que ela sugue mais, ele não a ensinaria a ser ingrata, ele não é ingrato, ele queria é que ela deixasse de ser ingrata. Ingrata ela era, sempre fora? Além de ingrata foi burra, não aprendeu quase nada e já sai assim, se dizendo mulher, que mulher o quê? Pra ser mulher tem que saber transar, no mínimo saber transar! Cê acha que sabe transar?- “ah, assim não,olha, quero em pé, pode ser em pé?ai, eu gosto em pé!” Em pé é bom, é bom em pé, foda-se quer nem saber se estou cansado, não é? Vamos em pé, vamos... Ia em pé, pra te agradar ia em pé, cansado, mas ia em pé, queria é te dar prazer, mulher? Se diz mulher agora?É mulher, beleza, é mulher, é mulher. O quê? Ela te ligou pra dizer que estava com outro, que? Outro, homem? Que, de mais idade, de carro, de lá, como ela? Olha rapaz, sai fora dessa, é ingratidão demais. É, assim, ligar pra dizer isso é ingratidão demais, é sim, acabar comigo demais, é sim. Bom, não acho que seja alguma merda, ser mais velho Ter carro até vai, porra, mais conforto, não é? Tu que não gostava dessas coisas, não é? Humildona, você! Legal, você. Mais velho é merda,é merda. É da faculdade?olha, que merda, grandes merda, quantas vezes disse isso, eu, que era merda, era merda, apenas porque você não estava na faculdade, olha o quanto eu te agradava, olha! Ai, sei não, mais velho? Quero ver te foder em pé, quero ver te foder e gozar pra você ver, quero ver, quero ver te comer e ficar, te comer e não contar, quero ver,quero ver nao falar das tuas estrias, quero vê-la nem pintada depois dessa, nem pintada. Consigo nem passar ai, na tua rua, nem ai consigo passar. Medo do Pálio branco?Não sei, disso, não sei... vai ler, vai me culpar, vai falar que fiz isso, fiz aquilo, sei não, de pouca coisa sei, mas, esse, é o discurso da ingratidão, abençoada!
domingo, 26 de outubro de 2008
A D i c a
Todo espaço do mundo
Falso,
transcendendo o tato
Faz de mim,
moleque chato
Guardado,
dentro dum frasco
Quando,
toda noite,
início de cada dia
Mil seiscentos e vinte e quatro
Quilômetros de abstração
Separam
a minha
mão
da tua
mão fria.
É verdade,
eu queria
Tua boca
na minha
Mas a vida,
querida,
É assim, dificuldade
Sem fim...
(Edson Santana)
Todo espaço do mundo
Falso,
transcendendo o tato
Faz de mim,
moleque chato
Guardado,
dentro dum frasco
Quando,
toda noite,
início de cada dia
Mil seiscentos e vinte e quatro
Quilômetros de abstração
Separam
a minha
mão
da tua
mão fria.
É verdade,
eu queria
Tua boca
na minha
Mas a vida,
querida,
É assim, dificuldade
Sem fim...
(Edson Santana)
sábado, 25 de outubro de 2008
Postagem de um Amigo
...Os meus heróis
Os meus heróis são todas as pessoas capazes de abdicarem de si próprias, da sua vida se necessário, em prol dos outros ou de uma causa (justa) em que acreditam. E os que ousam remar contra qualquer maré, sem medos.
Por norma admiro mais os irreverentes, os temerários, os generosos, os inteligentes e os mais firmes na convicção.
Todos/as igualmente corajosos/as, loucos/as e na maioria dos casos com existências sem final feliz.
Em comum têm o serem aos meus olhos pessoas especiais e únicas, diferentes, no meio de uma multidão de ovinos bípedes, apáticos e/ou cobardolas.
Julgo que não me escapou nada, Fabio...
Os meus heróis são todas as pessoas capazes de abdicarem de si próprias, da sua vida se necessário, em prol dos outros ou de uma causa (justa) em que acreditam. E os que ousam remar contra qualquer maré, sem medos.
Por norma admiro mais os irreverentes, os temerários, os generosos, os inteligentes e os mais firmes na convicção.
Todos/as igualmente corajosos/as, loucos/as e na maioria dos casos com existências sem final feliz.
Em comum têm o serem aos meus olhos pessoas especiais e únicas, diferentes, no meio de uma multidão de ovinos bípedes, apáticos e/ou cobardolas.
Julgo que não me escapou nada, Fabio...
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Talvez toda noite deflorada pela manhã
Talvez toda noite deflorada pela manhã,
Observe o que,
À tarde, tinha alguém,
Guardado para ti:
Um ramo de consciência,
Decorado com fitas de conhecimento e
Cheiro de carinho
E
Um
Bilhete
Que dizia:
Venha e não venha, a noite é solitária,
A manhã agonizante e a tarde,
Cômoda e sincera. Mas olha, sinceridade é recíproca.
Observe o que,
À tarde, tinha alguém,
Guardado para ti:
Um ramo de consciência,
Decorado com fitas de conhecimento e
Cheiro de carinho
E
Um
Bilhete
Que dizia:
Venha e não venha, a noite é solitária,
A manhã agonizante e a tarde,
Cômoda e sincera. Mas olha, sinceridade é recíproca.
domingo, 19 de outubro de 2008
Quando abres teu armário
Repleto de casos falsos,
Empoeiradamente
Disfarçados de passado,
Voltas a ser o que de
Fato, gostarias de ter
Sido , sem mim, sem ninguém.
Talvez, somente contigo.
O cigarro, amiga, foi o que restou do nosso passado mal amado. Largá-lo-ei quando, enfim, largar a utopia dos que são partidários do amor.
Repleto de casos falsos,
Empoeiradamente
Disfarçados de passado,
Voltas a ser o que de
Fato, gostarias de ter
Sido , sem mim, sem ninguém.
Talvez, somente contigo.
O cigarro, amiga, foi o que restou do nosso passado mal amado. Largá-lo-ei quando, enfim, largar a utopia dos que são partidários do amor.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
De que adianta pensar no passado
Em fardo pesado na perna esquerda
A desnivelar o corpo mal amado?
Não passo a dez passos do teu sorriso
Sarcástico a ferir-me tão devagar
Da pior forma, do chão para o alto!
Deixando-me em fúria a precisar
Dos afagos dos amigos assim como
Eu, coléricos e tão solitários.
(Ngamba Botero)
Em fardo pesado na perna esquerda
A desnivelar o corpo mal amado?
Não passo a dez passos do teu sorriso
Sarcástico a ferir-me tão devagar
Da pior forma, do chão para o alto!
Deixando-me em fúria a precisar
Dos afagos dos amigos assim como
Eu, coléricos e tão solitários.
(Ngamba Botero)
Tão lindo ser; tão linda idéia!
Parte de você
Tornada parte de alguém
É parte que falta em alguém,
Assim,
Como eu, esse alguém.
Parte do seu corpo,
Faz, faço florir no teu peito
Meu sono e minha insônia!
Dorme comigo, e, que,
Esqueçamos o pé nos passados
Pisados pelos nossos afagos?
Faço, faça-me eternos afagos
De eloqüência
Do nosso desespero incessante
Pelo ser amado nunca
Estar ao nosso lado?
(Por Ngamba Botero)
Parte de você
Tornada parte de alguém
É parte que falta em alguém,
Assim,
Como eu, esse alguém.
Parte do seu corpo,
Faz, faço florir no teu peito
Meu sono e minha insônia!
Dorme comigo, e, que,
Esqueçamos o pé nos passados
Pisados pelos nossos afagos?
Faço, faça-me eternos afagos
De eloqüência
Do nosso desespero incessante
Pelo ser amado nunca
Estar ao nosso lado?
(Por Ngamba Botero)
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
"Ah, caralho!Vai o amor e vai também a inspiração? ou será o tempo, esse que sempre dá um jeito nas coisas?
Me aperta tanto, que nem tempo pra escrever tenho. Ou me ajuda tanto, que nem objeto de inspiração, pelo mesmo tempo levado, posso ter?"
Disse Mgamba Botero numa noite qualquer de um final de semana. Provavelmente muito chapado com uma mulher do lado e flagrante na mente...
Me aperta tanto, que nem tempo pra escrever tenho. Ou me ajuda tanto, que nem objeto de inspiração, pelo mesmo tempo levado, posso ter?"
Disse Mgamba Botero numa noite qualquer de um final de semana. Provavelmente muito chapado com uma mulher do lado e flagrante na mente...
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Carta de Ngamba, meu Eu Lírico.

Porra, camaradas, estou pensando seriamente em meter um balaço em minha cabeça, agora, nesse exato momento. O que achas, má idéia?Sei não, acho que não fui educado para ser forte, não tenho um Deus, e, nesse inicio do fim, nenhum ombro amigo, agora. Vou partindo pensando em certas situações, e, enfim, deixando alguma mensagem pros que, em algum momento, fizeram parte da minha vida.
Em primeiro lugar, e bem merecido primeiro lugar, deixo para minha mãe, aqui, nessa carta, todo carinho que não fui capaz de te dar pessoalmente, nas relações pessoais. É assim, pensando exatamente nisso, que vou regozijando-me sentir privilegiado por alguma coisa. O único privilégio que não hei de mascarar é o de ser amado por quem me pôs nesse mundo. Minha mãe, tens sido uma heroína do mais altíssimo quilate. Não entro em questões pessoais, até para não culpar alguém pelo que ocorrerá no final dessa carta, entretanto, peço a todos que escolham muito bem suas companhias para o eterno. Não, não tenho sido uma pessoa exemplar, e muito menos um filho exemplar, sei e confesso, mas isso é outra questão.
Não sei o lugar do qual falo agora, nesse momento. Demasiadamente difícil sabê-lo. Nenhum esforço brota de mim agora, infelizmente. Deixo aqui algumas palavras à pessoa que conheci na última sexta-feira, mulher de atitude, é claro. Num tempo anterior teria eu pensado nela de outra forma, hoje a vejo como símbolo de um futuro não muito distante. Infelizmente, menina, não poderá banhar-se em meu corpo, e, como observei, não poderá você, mergulhar em meu interior, e tirar de mim o pouco que tenho: algum tico de conhecimento sobre pouca coisa. Pode parecer ingratidão minha, olhos claros pela escura, porém, também num futuro não muito distante, há de me entender, portanto, para ti, deixo meus contatos, meus livros, e minhas poesias. É verdade, uma noite contigo. Algumas noites contigo. Todas as noites contigo. Seriam, para mim, o máximo de prazer, excitação e aprendizado. Quase uma sexóloga! Gostei disso, disse você, foi uma cantada?Amei!Sabe, pensar em você me faz voltar atrás, porém, como há de observar, pensar em outra, faz-me seguir tenazmente objetivando o balaço da felicidade eterna.
Amigos, mais que camaradas, hão de me entender, vocês, sim, somente vocês, deverão me entender. Deixo para vocês, algumas mensagens, algumas palavras.
Não sejam, vocês meus amigos, instrumentos do ódio. Entretanto, ser instrumento do amor, não é a melhor alternativa. Sejam, como o curso de ciências sociais propõe que o sejam, seres racionais à cima de tudo. Confesso: a maldita da poesia não me deixou assim, e, talvez por isso, ou melhor, talvez por ela, tenho sido assim, duplo sentido, dupla personalidade, vocês não acham? Cansei, cansado estou agora... Deveríamos ter votado a favor do desarmamento. Uma PT 380 há de tirar-me as cervejas, os uísques, os baseados, o Lucky Strike, os peitos, as massagens, as vaginas, os livros, as crônicas, as poesias e o amor-perdido, e mesmo assim, há de me fazer mais feliz, mais conhecedor do meu Eu. Nunca se questionem sobre quem são, e o que vieram fazer aqui. Vocês, sem religião, sem zelo e somente com afeto, hão de terminar assim, como terminarei no final dessa carta.
Fica aqui meu pedido. Lembram da minha idéia, do blog? Sim, o blog publicado em forma de livro. Não o façam, peço. Embaixo da impressora localizada na escrivaninha, se encontra o login e a senha do meu blog. Tirem-no do ar assim que lerem esta carta, que por sinal estará publicada no blog. A baiana que conheci há um tempinho na internet, deixem-na com um beijo e um poema meu. Queria a oportunidade de ir a Salvador, beijar-lhe a boca, pôr minha cabeça em seu colo e ouvir suas palavras, que me parecem afetuosos, negra mais linda e inteligente, vinte aninhos, no auge do afeto. Ao pessoal da Bienal, ou melhor, do coletivo de cultura, tenho aqui todas as mesas, os debatedores e os contatos, apenas liguem meu notebook, está no Desktop. Aos do ME, deixo um grande tomar-no-cú-seus-burros, o coletivo de cultura fará a tão esperada revolução. Aos burocratas, deixo alguns poemas, e alguns textos, a fim de ensinar-lhes alguma coisa proveitosa.
Meu amor-perdido, nunca se sinta culpada pelo que ocorrerá comigo. Não tens culpa alguma, eu e a poesia somos os culpados por tudo, até pela ambigüidade na qual me tornei, portanto, ame outra pessoa, transe com outra pessoa, da forma como te ensinei. Olha, não me procure em outros homens, sou único, e além do mais poeta. Ah, não abandone seu Deus, e se em algum momento ele te abandonar, entregue-se a sua família, eles são tudo que tens.
Meus irmãos, não sejam idiotas, amem minha mãe e discutam com meu pai. Na primeira oportunidade ele cagará em suas caras e os colocará a andar.
Minhas antigas namoradas, não fiz por mal, apenas não as amava, briguem com minha atual ex, ela me teve, e, no fim, defecou pra mim, nesse momento, espero uma ligação dela, e tudo poderá mudar.
Atual ex, porra, estuda, garota. Fiz o que pude por você, se pudesse teria feito sua prova, até as da faculdade, tudo por amor e um pingo de pena, afinal não tens culpa de ser assim, tão desinteressada. Acho bem que tu estas com outro, mas isso não é da minha conta, não mais...
Garotas que peguei por ai, vocês não lerão meu blog nem terão noticias minhas. Deixo minhas lembranças, minhas eternas saudades.
Galera do CMRJ, amei ter encontrado vocês no sábado. Sejam felizes e gastem todo o dinheiro dos pais de vocês, façam jus, muita gente não tem pai, ou melhor, pai com grana.
Professores, tudo que aprendi com vocês me foi de muita valia, desculpem-me pelo desinteresse.
Estou ficando cansado e sem vontade de lembrar mais pessoas importantes. Um balaço atravessará minha boca e se alojará em meu cérebro. Desejo ser enterrado num cemitério barato, caralho, não gastem sua grana sofrida, gastem-na com bebida e viagens.
Terminei a carta, hei de publicá-la no blog agora mesmo. Ao lerem já não estarei mais convosco.
Um Abraço,
Ngamba Botero
sábado, 4 de outubro de 2008
Não sei não, é pra morrer de saudade, mesmo? Vai devagar, dê uma paradinha, olha!Atrás de você. Olhou? Eu, eu! Como?Não acredito, impossível! Se preocupe não, a felicidade é um estado passageiro, a tristeza é assim mesmo, ta sempre do nosso lado. Se choro é porque choro, e pronto, nada!Chorar até que é bom, não?Foi bom, chorar na quinta! Choremos daquele jeito novamente?
Ó, poxa, se preocupe não, coração bom é coração bom, e é assim, afinal... E eu?Eu mereço o que?Quem não merece o sofrimento? Me olha assim não. Pra ter aquele sorriso novamente, só estando do meu lado. Só comigo, me amando e sendo amada. Eu, talvez egocêntrico, mas duvido, do meu lado, não voltar a se apaixonar como antes. Quer tentar, gracinha?
Deixe-me assim não, madrugada como destino incerto.
Não, não é assim, já disse o que era. Eu era, assim, daquele jeito, meio que safado, daquele jeito me amavas e desejavas que eu fosse outro, e agora?Sou outro e dizes que não me amará, porque gostava era daquele, ingrato?Eu, nada sei, o pouco digo, sempre: não queres eu, desse jeito, meio que babando por você, sim, elas sentem nojinho, e você não é diferente, se queres o safado, ingrato, não o terá, não por mim, não por aquele, cujo único sentimento de alegria era vê-la triste. Enfim, as pessoas mudam...
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Sei que não se trata de vingança de sua parte, sei mesmo... Mas acho que se,de alguma forma, isso possa dizer alguma coisa, em poucas palavras digo o pouco q sei sobre muita coisa: Acredito que todo esse sofrimento que já me foi sofrido, tenha ele, consumido todo sofrimento o qual fiz você sofrer. Em poucas palavras também digo que te amo, que te quero, e que cada dia que passa, seu cheiro, que não consigo definir, vem, de pouco em pouco, impregnando minha vida e me causando saudades. Foi o passado, aquilo,foi coisa de criança, o que fiz, é infantilidade achar que alguém é só seu e conseqüentemente, ter ciúmes. Porém, fica aqui meus verdadeiros sentimentos, de arrependimento, e de esperança para a reconstrução de um novo relacionamento. Tentar é se superar, não acha capaz? eu me acho capaz de mudar. Mudemos juntos então! mudemos pouco a pouco, devagar, da forma como nos amávamos antes, antes de tudo, como na primeira vez...Sejamos nós, você sendo você, eu sendo eu e nós, sendo um casal...
Solteiros não resolveremos nada. Apenas beijaremos outros, abraçaremos outros e, enfim, nos tornaremos outros, diferentemente do que somos, afinal, agora...
Ainda te amo, com a sinceridade com que toco meus pés, imaginando ser os seus, com carinho e com massagem...
Vem sendo insuportável, viver apenas de saudade...
domingo, 28 de setembro de 2008
Uma noite, um amor, um baseado, um bacanal e uma crônica
Ninguém sabia realmente o que tinha acontecido. Alguns, na verdade, até sabiam alguma coisa aqui, outra ali, porém, de uma coisa todos tinham certeza: uma hora eles voltariam.
Era comum terminarem, algumas brigas, algum orgulho, ponto, terminado. Um dia, menos de um dia, e lá estavam eles, juntos de novo. vez foi diferente, eu, que muita coisa sabia, desconfiava da única certeza que todos tinham. Pra mim eles não iriam voltar, não nessa situação, não pelo que tinham passado nesses vinte e oito dias separados. Dessa vez ela quem terminara, ele, que sempre findava, porém sempre pedia pra voltar, mergulhara no orgulho dela, nem ele, que sempre fez besteiras, sempre traíra etc. imaginava tanto orgulho da parte dela, difícil, porque qualquer pessoa em sã consciência teria percebido, não era orgulho dela, e sim, orgulho ferido dela.
Quase um mês, e a saudade já não se comporta como antes. Manifestada em desespero, pelo apego e sentimento de posse, agora, ela, pouco a pouco diluída pelas reflexões, geralmente executadas com o objetivo de melhoras, desconstruções de preconceitos, machismos... Percebi que ele tinha mudado. Sempre fora humilde, sempre abaixava a cabeça quando estava errado, não seria diferente agora, era bom... Vem sentindo saudade, isso é inegável, mas tudo tem sua hora, e o amor-próprio nunca nos abandona para sempre, por mais reflexivo que o ser seja, por mais humilde, com consciência de alguma coisa. Agora sim, a resposta estava ai, em nossa cara: ele fora abandonado. Difícil assumir?Não! A dificuldade está justamente em agüentar a estaticidade, principalmente quando se sabe, sou diferente agora, passei por algumas coisas...
Não sei não, a noite passada foi estranha, pensei que não lembraria muita coisa, mas a luz da noite suportada, parece, vai me acompanhar por algum tempo. Ontem, de vez, provei teorias. Já dizia alguém, não sei, não era da academia: “contra fatos, não há argumentos”, ora, nada mais me afetaria, pronto, o peso da verdade seria inegável, posso agora, falar para todos. Confesso: não entendi muita coisa do que se passou ontem, espero que alguém tenha compreendido, meu dedão do pé dói, acho que tropecei umas três vezes, no escuro, o degrau, caralho! Quem põe uma merda daquela no caminho?! Menos pior que ter metade do beiço arrancado, garota louca, aquela. Acho que só assumi aquele papel porque estava doidão, e não era apenas cerveja...
Entendo pouco dessas coisas de bacanal, Baco, Dionísio, cacete! Parece-me que esse tipo de coisa não se faz... Agora eu vi, presenciei, fazem sim, suruba! “porra, aquele moleque está de sacanagem, geral querendo comer aquela mulher e ele lá, porra de beijinho, discutindo relação com uma mulher que quer dar para todos? Tu é meu amigo, filho-da-puta, vamos parando com essa porra. Me aproximo do casal. Olha, vocês não mudam a cena, sei que você gosta de cinema, faz curso e o caralho, próxima cena é minha, posso? Aquela mulher queria era dois homem em cima dela, só pode, percebi quando cheguei ali do lado pra sugerir a próxima cena, pra fazer com que a galera se acalmasse. Pego a mão dele, coloco no peito dela, por cima da camisa, cena um. Ó, quero a próxima cena também, pego a mão dele, abaixo a blusa dela, ta aí, chupa o peito dela, moleque, ele era moleque, achei melhor assim, vamos entender... duas cenas, vai rolar alguma coisa, acabou a ponta?
Aí irmão, tem mais baseado aí? Ai, cumpádi, na rua de trás, dobra a esquerda, o movimento ta ali. Me acompanha, camarada? A gente não conhece porra nenhuma aqui, cara, e ai? Um baseado nosso, só nosso?Demorou, demorou... Ai, parceiro, o movimento aqui é tranqüilo?Porra, é o 7, é nós!Sabia caralho, ai que fudi meu dedo, descendo a escada? Tem gente metendo no carro moleque, olha essa porra, acho que é a loirinha, ela disse que ia meter o pé, mas quem é o maluco que ta faltando lá em cima? Foda-se, vamos indo...
A gente não conhece ninguém aqui, camarada, somos malucos, porra. Ta tranqüilo vamos indo, ta tranqüilo. Aí, qualquer coisa, porra, tu é do Jardim Novo, ouviu?Jardim novo! Ai moleque, onde é a boca? Fala com os caras aí atrás. Beleza, são os caras ali. Ai irmão, tem baseado ai? Não, só do branco, baseado é com os caras ali em cima. Moleque caralho, a gente é maluco, só pode, cadê os malucos? Escuro pra caralho. Tu é do Jardim novo moleque, Jardim Novo. Beleza, fica tranqüilo. Ai, porque os caras ficam separados, porque a boca é separada? Os caras que estão lá em baixo são os que estão quebrados. Irmão, tem baseado aí? Se liga, tu falou com quem lá embaixo?O de camisa branca? Nem lembrava que tinha alguém de camisa branca lá, porra e agora? Aí, não sei não, acho que era o de jaqueta do exercito, sim, era ele, confirmei. O cara, negro, não vi o rosto, acho que eu estava doidão, só podia. Em cima de uma varanda, parecia, não sei, logo abaixo, mais um, de bicicleta, virou, de costas pra a gente, aprecia querer ir embora. Porra, por qual motivo esse cara demora tanto pra vender, pra descer? Lá de cima, ele, parado não sei quanto tempo, a observar os outros dois lá embaixo, exclama um porra, foi o porra mais arrepiante da minha vida, tudo por causa de um baseado? Ele desce, pára em nossa gente, quer o quê, de quanto? Maconha de dois, tem? Tem. Beleza. Vamos descendo, caralho, maior ladeira, que dificuldade. Essa demora, esse clima, porra, que isso, ninguém nunca me disse que o esquema era assim, nunca me disseram nada, maior clima pesado, bagulho sinistro. Ainda tem gente no carro, a galera ta metendo pra cacete... de novo, porra, esse degrau de merda... ai, tamo aí já... porra, vamos juntar nesse aqui, ta pancadão, vai ficar um pancadão... um terceiro vem, se aproxima, aí, como tava o movimento lá? Vocês são malucos, eu fumo, mas não me sujeito a isso não, comprar?nem to maluco. Nessa hora pensei que tudo que tinha ouvido falar, era a mais absoluta mentira, que o clima é tranqüilo, que a galera vende tranquilamente, e olhe lá, aqui é uma favela pequena, que droga. Os caras estão drogados demais, o dono da casa é maluco, ele ta muito louco, irmão. Lá no bar, àquela hora, ta ligado? que tu me falou, porra, essa parada não vai dar certo não, olha o maluco, ta foda, eles tão doidões . Foda-se vamos ver qual vai ser, vai ter mulher, essas mulheres vão também, tranqüilo, vamos lá... O carro está lotado, temos que pedir mais dois táxis, pede aí cara, já ligou pro táxi?Tá demorando pra cacete... Vamos fretar uma Kombi? Vamos? Mas como, não passa Kombi aqui não. Espera está passando uma aqui, faz sinal,faz sinal, caralho, ninguém pára pra gente, também, estamos num bar, bebendo há quatro horas, como?Aí, vamos pegar uma Kombi lá na praça?Vamos, eu vou contigo...
Caralho, que merda, vir acompanhando esse cara, logo esse, que discuti há um tempinho, esse safado, vem falar que não mereço ter dread porque não fumo maconha, e ele?é branco, safado, fuma maconha do tráfico, financia a guerra, as mortes, os assaltos, to tranqüilo, mas era pra eu ter quebrado ele, mas ia dar merda, ia estragar a festa, os caras iam juntar em mim, mas meus camaradas também estão aqui, íamos sair na porrada, acabaríamos com a festa, evitei, tranqüilo, agora tô aqui, andando ao lado dele, mas que vontade de quebrar ele aqui, ninguém vai ver, volto lá e falo que foi a policia, quebrou ele, tava com maconha, levou umas e a PM ta vindo aí me seguindo, todos meteriam o pé, não daria em nada, o safado nem ia lembrar de nada no dia seguinte, que maconheiro safado. Fala, ãhn, vamos porra, vamos fretar a Kombi, o quê, aonde íamos mesmo?Ele nem lembrava, mas eu sabia, ai, 794, 794... irmão, tamo ali. Dez cabeças, vamos pro 77, vamos fretar essa porra, põe geral pra fora. Não daria, tinha fiscal, o motorista era um trabalhador, tranqüilo, honesto, vem o fiscal, fanho, não pode, não pode, não adianta. Mas nós é do 7, do tráfico lá, vamos embora... eu, ali, naquele ponto, várias vezes, ali, com minha namorada, namorada não, ex-namorada, pegando um táxi rumo a uma noite de amor, e agora, na mesma Kombi que passava em frente a minha casa, eu, fazendo papel de traficante, que safado esse cara, que bandido, acuando trabalhador. Vamos embora, o cara está trabalhando, saí, saí, mete o pé...vamos pegar um táxi... ai, irmão, não me atrapalha não, deixa eu falar, vamos pro 77, mas tem uma galera ali, uns 6, mais ou menos, vamos pegar a galera ali no bar, beleza? Vamos...tranqüilo, onde é? Na doze, vamos... teu irmão, como está? O safado conhecia o irmão do motorista, irmão-maconheiro, enquanto o motorista, irmão-tranquilo, batalhador, tinha que ouvir isso... bacanal, o caralho, maconha, vai rolar tudo, vamos? Cacete, ninguém no bar, porra, o táxi da galera chegou, vamos pro 77, devem estar lá, puxa, motorista...caralho, ó eles ai, tão ai eles, pára, pára, vamos galera, partiu, vamos... não, o M. tá lá com a mulher, não é pra deixar ela lá não, eles vão ficar na pista. Foda-se, vamos B. vamos, D. vem...vem...pega o táxi, a gente tá com o dono do barraco, tá tranqüilo, vem...só nós três no táxi? Tá com grana aí, esse safado não vai querer pagar, é certo. Chegamos, é ai, tenho quatro, aí, irmão, quanto dá essa corrida?Diz a ele aí, dizia o motorista pro safado, quanto dá a corrida... É quinze, quinze, D fala, quinze?É muito, é muito, dez, pode ser dez, beleza, tenho quatro, me dá os quatro, dou dez. fechou?Valeu irmão, beleza... Bom trabalho, nessas horas também éramos educados, que merda... Barbarismo de merda que não me atinge...
Na casa dele estava tranqüilo, o primeiro baseado, a saída para comprar o segundo, aperta... Aperta direito porra, esse pastelão aí não quero não, beleza?Não vai ser pastelão não...o maluco que apertava parecia saber o que estava fazendo, caralho, esse cara me lembra alguém, ah! O Cuíca, porra, logo o Cuíca, nessa situação eu lembro dele, e pior, encarnado num maluco que nem sei quem é, aqui, dentro dessa favela.Cuíca, matador, matava e contava, cada história de merda. Se fosse um bárbaro como ele, num dia daquele tinha o matado, quantos ele ainda não mataria como matou aquele cara, no dia do casamento. Irmão perdeu... Perdeu... Oitão na cara, pipoco, falhou! Porra! Pelo amor de Deus, irmão, tenho filhos, mulher, o que você quer, te dou, te pago? Primeiro, tua mulher que me mandou aqui, segundo, não quero grana, ela vai me dar, é o teu seguro, terceiro, só quero tua alma agora... Arma de merda... Pelo amor de Deus, cara... Não põe Deus nisso, essa hora o cara ta descansando, a arma não pega, o cara - vitima vem pra cima, por favor, Ó, por favor é o caralho, seja homem, coronhada na cara, várias, aí dá tempo, concerta a arma, e atira, vários na cara, de perto, ele sabia que de perto o sangue espirra, foda-se, eu mando aqui, meu tio manda aqui, é nós... Volta pro casamento, onde, minutos antes, tinha ele pedido minha mãe para guardar o 38 dele, casamento de evangélico, puxa a arma e põe na bolsa de minha mãe, todos vêem, ninguém fala, sabem quem ele é e o que fará naquela noite, um morto, alguma grana, pouca coca. Volta pro casamento, sangue na calça, sangue no sapato. Que porra é essa moleque?Fiquei sabendo do assassinato assim, da boca do assassino.
Logo o Cuíca? Porra, beleza, Olha como ele ta feliz com o beck, beleza, vamos fumar... Uma onda da porra, uma onda do caralho... Nunca pensei que fumaria essa merda, nunca pensei, da favela ainda?Sujeitando-me a comprar, como disse o moleque que fumava há tempos, porém, nunca comprava nunca se sujeitava àquela humilhação... Dei mole... D, percebeu no bar, eu percebi na praça da Kombi, eu discuti, quase briguei com o dono da casa...demos mole, agora basta fumar um beck, relaxar, mas é foda, se liga D. fica ligado, B. ta doidão, ainda não comeu aquela mulher, mas também, na frente de geral?Ela é safada, vai dar, vai dar... Esse beck é uma maravilha, tranqüilo, que relax... Nem penso nela, nem quando fumo, quase sempre penso nela, menos quando fumo. Eu a amo, ela, um dia, também me amou, acho que agora ela apenas se ama. Mas eu era machista, mas mudei, as coisas funcionam assim, lá vai o L. se tornando um merda como eu, sendo machista, quando perder vai ser um Eu, um merda arrependido. Ta beleza, que viajem, eu sou maluco, sou maluco... Já torraram o beck todo?Dei dois tapas só porra, também, passou por maior galera...
Cecete, brother, a galera ta metendo lá embaixo, a mãe do maluco, vai ser maior esculacho, neguinho não respeita nada. Ó, vamos meter o pé, o cara ta boladão, estão metendo na casa dele, na frente da casa da mãe dele, e ninguém está dando pra ele, o bicho vai pegar, olha, o B. não sai da mesma cena, moleque, isso vai dar merda, é óbvio isso.
Particularmente, nunca achei que uma pessoa da favela seria assim, pensava no motivo pelo qual o cara que se parece com o Cuíca, vou chamá-lo de Cuíca mesmo, sentia-se ofendido com a galera que trepava na casa do amigo dele, vai ficar ai uma questão, eu, não entendo, mas deixo as fichas para que alguém entenda.
Os caras estão discutindo, esse dono da casa tem transtorno bipolar, uma hora ele ta bem, na outro ta puto, caralho moleque, tem gente ficando com medo. Olha ele, cacete, tá gritando o nome de JAH ali na janela: ô JAH, pelo amor do senhor, JAH! É melhor a gente ficar com medo mesmo, pelo menos o medo nos previne de alguma merda. D. o que vamos fazer, esses caras estão malucos...? Os grupos falavam a mesma coisa, o dono da casa e o Cuíca reclamavam da galera fazendo sexo, eu, só estava fumado... Pararam o sexo, pedimos pra parar. O grilo agora era outro, a falta de respeito, mas nisso, já tinha ido embora o Cuíca, decidido a não voltar mais, diante daquela falta de respeito, mas pensei: no inicio, ele dissera que o problema era o sexo, paramos o sexo, agora a falta de respeito, ele, sem dúvida, queria arrumar confusão, e eu, não queria pagar pra ver, ele foi embora, eu, fiquei com medo, cenas assim, já tinha presenciado de dezenas, lá pelo lado das milícias, mas ali era tráfico, não vejo diferença alguma...
Partiu geral, partiu... Os caras tão puto, o maluco ouviu a gente falando, comentando que eles estavam putos, o M. ficou discutindo, falando alto, não respeitou os malucos, gente, vamos embora, vai dar merda e eu to ligado já... Chama o B. a puta dele, que é casada, mas queira meter com a festa toda, e quem quiser vir, estamos indo. Aí, espera o F, vai ficar ai sozinho com esses caras?É, chama ele, chamar o quê? O cara está com a mulher, dane-se, eu meto o pé então... Não! Ta, deixa que eu chamo. Fui lá, o chamei, ele e a mulher dele e dei o papo: se liga, os malucos estão nervosos ai, tem gente desrespeitando a casa do moleque, a mãe do moleque, e acho que vai dar merda, é melhor a gente meter o pé, ou então tu desenrola essa porra, vai desenrolar?Sai da cama, vai desenrolar, agora não tinha caô, todos tinham saído, a parada era ir embora, o melhor a se fazer... Vamos, vamos, tem gente lá atrás, não dá, B., D., vamos, não quero nem saber, o táxi, tem táxi ali,ai irmão, quanto é o táxi até Bangu? Não! Não vamos de táxi não, é melhor esperar porra, vamos com a galera, juntos é melhor, a gente não conhece nada por aqui, é favela moleque, e se ele entregar a gente pro movimento? Qualquer caô é uma merda total... Beleza, vamos não irmão, vai com Deus... Vamos andando, vamos sair daqui, fodeu, que medo, mas tá tranqüilo, ta tranqüilo... Vamos pegar a Kombi?Pra onde, Bangu?Tanto faz, vamos sair daqui, vamos...
Confesso: meu amor, ter terminado o namoro, deixou minha vida bem mais interessante!Ah, e uma última coisa: se agarre ao teu deus, porque o meu, já deixou de existir faz tempo, assim que você se foi por aí, sustentada pela raiva e pelo amor-próprio...
A história talvez continue...
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
O Poço
Primeira postagem de outro poeta nesse blog. Pablo Neruda é, pra mim, um dos maiores poetas de todos os tempos. Esse poema a seguir diz muita coisa, principalmente o que, dificilmente as pessoas assumem em sí mesmas. Segue o poema. Ah, amem!
Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.
Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?
Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.
Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.
Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.
Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.
Pablo Neruda
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