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Moribundo SUBurbano. Estereotipado: bandido, maconheiro e marginal. Escritor, poeta e, portanto, miserável.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O Poço


Primeira postagem de outro poeta nesse blog. Pablo Neruda é, pra mim, um dos maiores poetas de todos os tempos. Esse poema a seguir diz muita coisa, principalmente o que, dificilmente as pessoas assumem em sí mesmas. Segue o poema. Ah, amem!



Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

Pablo Neruda

segunda-feira, 22 de setembro de 2008


Vamos juntos
Dançar e olhar
Devagar, tentando
Mais que amar,
Vamos?

Juntos mais de
Mil dias
Seria não seria
Difícil separar-se, enfim...

Caminhemos,
Eu, a olhar e guiar
O caminho,
Tu, comigo,
A ser, afinal,
Toda carinho,
Porque não?
Caminhemos?

A saudade, lembra?
É sim, sinal do fim,
A andar eu, belas
Companhias, porém,
Sozinho!

Tu,
Sem eu,
Sem os seus,
Sem pés,
Pronta para ser
Devorada,
Fruto maduro?

quinta-feira, 18 de setembro de 2008




Tens passado dos limites hoje em dia. Andas pensando no que realmente significa o amor, e no que ele influencia para a construção de um relacionamento. A primeira conclusão que tem em mente, é que não devemos entrar num relacionamento antes de nos amarmos de verdade, isso, o amor próprio mesmo, sim, é dele que falas. Isso pode soar estranho às pessoas que lêem esse blog, em sua maioria poetas e afins, ou seja, pessoas comprometidas apenas com o amor e blábláblá-bando de chorão.

Então, falas de amor-próprio, pois somente esse pode fazer com que sejamos felizes. Acredita, e tem vergonha disso, que o ser humano só é humano quando ama o próximo e seja lá quem for esse. O individualismo é, sem dúvida, a característica dos que se amam demais. Nunca se amou, talvez por isso tenha tido tantas atribulações pelo caminho. Não sei, o poeta está sempre fadado ao fracasso, no amor, no trabalho, sei lá, não lembro dele ter se sentido satisfeito, uma única vez, se quer...

A satisfação dos que amam demais o outro, é, sem dúvida, ver o outro satisfeito. Aí que ele entra, ou melhor, é aí que ela sai. Lembro-me de tê-lo visto juntando seus trapos e ter mudado repentinamente pro ventre dela. Lembra dos beijos na barriga?ó, ai não é barriga não, barriga é mais em cima, seu tarado!

Lembra do passarinho, aquele, no ninho, aprendendo a voar?O poeta já sabe voar, ele, já sabia voar, mas aninhou-se no ventre dela, com medo de seguir em frente.

Há quem diga que seu erro foi ensiná-la a voar, enquanto ele, pássaro velho, tinha desaprendido a fazer o mesmo, enfim, ela partiu levando o ventre e os trapos dele, assim, a deixá-lo...

Mas ele continua vivo aí, vivo, entre um dilema: ou tenta aprender a voar novamente, ou encontra um outro ninho, porque seus trapos serão devolvidos quando ele, enfim, não mais procurá-la!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Aos que acham que amam demais



Sem saber o que era o amor,
Fui jovem.
Sabendo o que era o prazer,
Fui homem.
Sabendo o que era o amor perdido,
Fui bicho.

E naveguei em 1500 pelas
Ruas
Devagar a dançar por fora
E me iludir por dentro!
Oh! Se o dia do nosso encontro
Não vem,
O que é que tem,
Se me tornar um cético?

O amor, esse ingrato que me deu você,
E partiu devagar, levando
Pedaço por pedaço do meu amor-próprio
Até me deixar sozinho,
Eu, comigo mesmo,
Numa noite num bar navegando e me perdendo,
Na lapa,
Compartilhando segredos e dores de cotovelo!

sábado, 13 de setembro de 2008


E chega a hora de arrumar a casa. Mesmo contra a vontade, a liberdade talvez conte mais um pouco. E ajuda também, né? Sei não, ta rolando muito papo furado por ai, pela área. Muita história, a gente até entende, o difícil é se acostumar sei lá... Eu escrevo pouco, falo demais com os que não quero causar boa impressão, e, com esses, acabo causando o que não quero... Mas o interessante é que, quando falo pouco, também me consideram interessante, talvez até misterioso, a droga é quando a gente acaba se achando uma bosta, e que não causou boa impressão, e lengalenga... To devagar, querendo conversar, num bar, enfim, sei lá... É vida que segue. A paixão pela boa conversa está no ar, mas olha, não leva em consideração minha idade não, falou? Salve, salve! Adoro a cor branca travestida de negra. Beijo na testa!

Foto: Luanda, capital de Angola. By Cabana Boy

quarta-feira, 10 de setembro de 2008


Não me reconheço sem a presença de outro alguém, devido ao fato de ter tanta falta de amor próprio, por mim mesmo. Em suma, minha miserabilidade se resume ao ser poeta e nada mais, nem estudar tenho conseguido.

A falta do que fazer preenche o espaço de tempo, que num piscar de olhos vai passando, assim, como se uma eternidade fosse meu caminho, sendo esse, não mais que um breve momento de amor, próprio, ou não...

Mais que decadência, a minha...

terça-feira, 9 de setembro de 2008



"Quero você, seus olhos, seus pensamentos, sua boca, seu sexo, sua mão na minha, sua massagem feita com preguiça, minha massagem, teu tempo, teu suor, a massagem no seu pé, espremer tuas espinhas, falar bem do teu corpo, falar mal da tua falta de compromisso, quero isso, quero ser eu, mudar o eu, ser seu, o que você quiser, quero briga, discussão, não sair junto com você, sair sozinho, brincar contigo, cantar no portão- mesmo que seja em silencio...quero de novo o arranhão o tapa na cara, as brigas, as porradas, os puxões de cabelo, prazerosos ou não. Quero é que você me olhe, que você se arrependa, que você, enfim, volte!
Quero tudo, já sabes que sou maluco. Admito, não ligo, quem liga? Sou todo amor, penso pra me complicar, e disso tu sabes... Falo demais, enumero demais, sou sistemático demais, enfim, fui do colégio militar, sou filho de militar, tenho dred, sou do partido comunista e preciso de um analista. Mas mesmo assim você tem que me entender. Volta pra mim?!"



OBS: Me liga assim que ler isso,mesmo que seja pra dizer que nao...

sábado, 30 de agosto de 2008


"Se eu fosse assim, tão bonitinho, quanto minha mãe diz. Se todas as mulheres me dessem mole, assim, como minha namorada diz. E se eu paquerasse todas as mulheres que meus amigos dizem que paquero. Eu não seria eu, fulano de tal. Acho que seria Eu, fulano de tal, realizado..."

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Se a tua verdade é uma merda concreta


Se a tua verdade
essa merda concreta,
Que nunca traz em si
alusão poética,
É o mais importante.

Então montemos nós
Essa trama de inverdade
E corrupção,
E dancemos separados,
Visto que juntos,
Pé pisado é o que acontece!


Foto: Soldado da UNITA.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Liberdade, mulher e relacionamento...

Antes de ler o texto, saiba de algumas coisas:
Primeira: a arte imita a vida, por mais medíocre que seja a arte e/ou a vida.
Segunda: de acordo com a primeira, todos os meus textos fazem referência ao que vi, vivi, ouvi e li.
Terceira: Sou um escritor. A principal regra dessa profissão é a seguinte: Liberdade poética. Nasce o texto, morre o autor. pense nisso!
Quarta e última: Foda-se a norma culta.

Segue mais um texto.


Desconcertada, prometi nunca mais passar por aquele local. Desço do ônibus, e uma quadra me separa do banho e da cama. Sigo devagar, à passos cansados, cabeça baixa, olhos mirando a ponta dos pés... Tanto tempo. Não lembro a última vez que deixei de olhar para baixo, com a cabeça baixa, tentando simbolizar humildade, da mesma forma que outras mulheres fazem, usando sandálias rasteiras.
Como poderia deixá-lo, se ainda o amava?As ruas, os bares, as calçadas que sabia: tinham sido pisadas por ele, lembravam-me o relacionamento. Lembro que agia de forma a odiá-lo, sempre... Sempre que brigávamos, a raiva me detinha, não deixava que eu o abraçasse, voltasse atrás... Pensava sempre no que ele tinha me feito, aliás, nas coisas que ele tinha me feito, e não eram poucas. Meu namorado há um ano, e histórias de traição brotavam das entre linhas do discurso dele, além de me inferiorizar. Queria que eu entrasse numa faculdade, mas não qualquer, queria uma pública. E no auge dos meus estudos, ele dizia que me largaria para ficar com outra, da faculdade dele, uma das melhores do Brasil.
Foi dentro desse contexto que permaneci uns dois anos. Se dissesse que não o amava, ou que pelo menos o amava menos pelo que ele me fazia, estaria mentindo. Então preferia ter raiva, preferia lembrar tudo que tinha me feito e me concentrar nas piores coisas, sem dar chance de defesa. A primeira tentativa de separação não durou um dia sequer. Tive a impressão de que ele, ao perceber minha atitude vanguardista, sentiu-se nada bem. Pela primeira vez: abalei seu castelo nunca antes abalado.
Minha vida continuava a mesma. Passando pelos mesmos locais, vendo as mesmas pessoas, poucos amigos e insatisfeita, física e psicologicamente. O homem quando é maduro, antes de procurar satisfazer-se, satisfaz sua mulher, como se sua satisfação, seu prazer, fosse oferecer o máximo de prazer a mulher amada.
O mesmo trajeto, de segunda a sexta o ano todo. Minhas relações no trabalho iam nada bem, até o dia em que meu patrão mudou-me de sessão, aumentando meu salário e conseqüentemente, minha hierarquia dentro da empresa. Como era de se esperar, meu namorado não demonstrou felicidade, mas também não fez a cara que sempre fazia, de reprovação. Tenho pra mim que a pior coisa é a imparcialidade, principalmente em um relacionamento. A verdade é que eu não liguei muito, não dei tanta atenção ao desfeito que ele me fez, aliás, que ele sempre fazia quando eu falava do trabalho. Mudei de ônibus mas não de trajeto, e no meio do caminho, aquele cuja importância nada significava pra mim, peguei-me olhando o céu, as nuvens, e não pensando na cama, ou no banho. Não lembro o que pensava, mas sentia uma sensação de liberdade.
Foi ai que percebi: homem e liberdade são palavras distintas, que quando combinadas, a primeira, sempre tenta impor-se sobre a segunda, saindo vitoriosa ou não, causa um estrago, para sempre, ou temporariamente...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ambiguidade, Contradição, Paradoxo...

Já tive medo de me apaixonar e já tive medo de não me apaixonar. Me apaixonei sem querer, nunca desamei alguém por vontade própria, e acho deveras impossível que isso aconteça. Passei três meses tentando amar alguém que merecia todo amor do mundo. Não me apaixonei. Nunca amaria uma mulher daquelas, nunca!

Tão reprimidas, e poucos vêem isso, poucos se importam com isso. Mulheres que permanecem doze anos casadas, sem nunca terem saído com as amigas, nunca terem ficado bêbedas sem a presença do marido. Por essas eu não me apaixono, essas sim, que eu gostaria de amar e me apaixonar, embora acredite que as mulheres devam ser independentes, contudo, são essas, independentes, que me deixam com medo, sem vontade de amar.

O problema não é comigo e nunca será, o problema nunca é de ninguém, não é do papa, não é do Bush, o coletivo é problemático, é meu é seu é de todos. Repele-se a culpa culpando todos, permanecemos no limbo, sem raiva suficiente para mudar a nós mesmo. Tenho medo é de amar, têm-se medo é de amar. Diz-se, geralmente, que o medo é de amar e não ser amado. Sabe qual é o medo? De amar e não ter a pessoa do seu lado sempre!

Acho que a experiência de vida deixa a gente assim, doente, problemático. Tanto caso de traição e declaração de amor, que já não acreditamos em nada:

“Ah... Se eu pudesse

Nascer de novo,

Quisera eu nascer

Num quilombo novo.

Me entorpecer ao meio dia,

Me drogar o tempo todo.

Não ter ideais.

Me preocupar apenas com pouco.

Covarde nunca seria,

Consciência de erro:

Nunca teria.

Ambicionaria o nada...

Seria feliz com o nada que possuiria,

E com o nada que equivaleria.”

Queria mesmo é fazer faculdade de Design, nascer numa família com dinheiro e não precisar estudar, pensar... Os filósofos deixam a gente assim, enquanto os poetas tentam minimizar tudo, florear tudo... Preciso deles, do charuto e da bebida, agora...

sexta-feira, 30 de maio de 2008


Não precisa vivenciar pra falar não, não mesmo? Comigo, meu caro, o discuso é mais embaixo, tão embaixo, que você, que anda de cabeça em pé e passa rápido, comete o erro de não passar rasteiro. Mas enfim, não é qualquer um que tem o privilégio de ser um verdadeiro marginal.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Estou aqui, meus amigos, cheio de vontade de partir dessa, talvez pra uma melhor. Por tudo que lutei, disso vocês sabem, por tudo que amei, talvez vocês não saibam. Vocês, meus caros, que sempre estiveram comigo, e no desentendimento, a vontade de abraçar, e a identificação, essa, decorrente do amor pelo inatingível, e dos devaneios da lapa, do centro, da madrugada. Vocês, que nem sempre estiveram comigo nos momentos cruciais, de formação da minha personalidade, alguns, que ficaram no caminho, porra, que filhos da puta! Tiraram meus amigos, arranharam-lhes as esperanças, e, na luta, quase sempre injusta, pereceram devagar, passo por passo, ludibriados, alcoolizados, caralho, eu acabo assim? Devagar, na lapa, hoje... Devagar, sem saber o que fazer, eu que odeio cigarro, que odiava bebida e prostitutas, meu Deus, o que estou fazendo? Eu, nas aulas de estética, junto, ao lado dos mesmos, que, acabaram com meus amigos, aqueles que retiraram a oportunidade de alguém ser alguém, caralho, digo palavrão mesmo, é como o funk e os desentendidos, os críticos. Essa porra mesmo, é a minha realidade, falo assim, meus amigos falam assim, meu povo fala assim, e nem por isso somos otários, nem por isso deixamos de pensar! Vão devagar, vão devagar, o caminho é árduo irmãos, hoje, eu, um negro, um pobre, um daqueles que andou cinqüenta por cento do caminho, acaba de desistir...

domingo, 18 de maio de 2008

À de nariz empinadinho

À mulher que,

Por banhar-se de perfume

Em demasia,

Não teve a oportunidade

De sentir meu cheiro

Dedico esse poema.

sábado, 3 de maio de 2008


Eu e ela. Dois corpos nunca antes tocados. Eu e ela, naquele lugar, em cuja cama, os corpos iam e vinham. Eu, sem conhecê-la. Ela, conhecendo-me. Dois corpos.
Eu, quando a vi, sabia que seriam dois corpos, duas vidas, dois braços entrelaçados. Ao mesmo tempo, seriamos nada. Como se o tudo nos fugisse, saísse sem olhar à volta. Tanta volta. Tantas atitudes impensadas. Se não as fossem, seriamos duas mentes em um corpo. Dois corpos em uma mente, ao invés de dois indivíduos errantes, num motel qualquer.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

A um amigo

Amigo, que detrás da máscara da inferioridade
e inocência esconde a glória
e a raiva de um povo que
mesmo na abstrata
Guerra de classes
Permanece em pé,
Graças à
Sustância!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Nascer num quilombo novo.


Ah... Se eu pudesse
Nascer de novo,
Quisera eu nascer
Num quilombo novo.

Me entorpecer ao meio dia,
Me drogar o tempo todo.
Não ter ideais.
Me preocupar apenas com pouco.

Covarde nunca seria,
Consciência de erro:
Nunca teria.

Ambicionaria o nada...
Seria feliz com o nada que possuiria,
E com o nada que equivaleria.

Canto das mães


Relativizei a vida.
Mas ela,
Ela não teve dó.

Na vida, Meu filho,
Deve-se escolher algo,
Se não o algo te escolhe,
Meu filho.

domingo, 27 de abril de 2008

Beleza


Encontrei o belo,
Iluminado num corpo de mulher
Vinha ele,
Com palavras que eram calmantes,
E o corpo luz profana,
Exalando idéias,
Almejando ser o que não era.