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Rio, RJ, Brazil
Moribundo SUBurbano. Estereotipado: bandido, maconheiro e marginal. Escritor, poeta e, portanto, miserável.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Tenho, ligeiramente, estragado tudo.
Miseravelmente, negado tudo.
Esquecido de tudo.
Magoado, pouquinho por pouquinho,
Tudo.
Sinceramente, tenho sido o que não nasci para ser.
O que mil querem que eu seja,
Sem ao menos eu mesmo almejar ser.
E vou imaginando quem sou eu agora.
Quem eu poderia ter sido e quem,
Eu seria agora, ao invés de escrever poemas
De madrugada, e sobre a madrugada.

Lascivamente eu engano duas, três, e, talvez quatro.
Pra que todas elas fiquem de quatro.
Eu me engane, alto.
Como se ser poeta fosse ser eloqüente.
Como se ser poeta fosse, antes de tudo, inteligente!
Eu não sou nada porque do nada eu vim,
E pro nada tenho caminhado.
E os meandros, falsos,
Fazem de mim mais falso que o falso que me falseia.
E vou-me sendo nada, já que perdi de tudo,
No caminho da mentira, me torno, cada vez mais,
Inconcluso.

6 comentários:

Dica disse...

Têm feito muitas coisas, só esqueceu de esquecer que te faz assim, triste, esquecido e no fundo do poço.


Eu te amo, mais que meus dias tristes.

Felipe Braga disse...

Triste. Porém, o triste nas mãos de um poeta torna-se tão poético que parece belo.

betina moraes disse...

"não sou alegre nem sou triste, sou poeta"

aplica-se.

obrigada pela visita ao combustão. tentei acessar o outro blog que aparece como sendo um dos teus e não consegui. fica aqui a minha leitura (proveitosa, atenta, gostei dos textos e do tom que aplicou ao "perfil")e a promessa de vir aqui ler as coisas que publicar.

grande abraço!

Adelita Portella disse...

Um dia rir-me-ei disto, tenho a certeza. Ou então chorarei.

Liliane disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lili disse...

Incrível como cada uma dessas palavras encontrou sentido em algum lugar perdido em mim...